Noite de festa em Aveiro, com o regresso do futebol 'a contar' aos estádios
portugueses. A primeira taça da época, a Super, vai de viagem até ao
Porto, porque Jackson Martínez resolveu a partida aos 90 minutos, com o golo da
vitória portista por 1x0.
Só Ricardo entrou nervoso nos estudantes
Como está adulta e madura esta Académica, sem complexos de equipa média ou de
valor menor, mesmo que o adversário da noite se tenha chamado FC Porto, por
sinal o bicampeão do nosso futebol. Não foi exuberante - nem pouco mais ou menos
-, mas olhou o dragão bem de frente e travou uma luta na qual esteve sempre na
disputa aos pontos até bem perto do fim. Cai de pé, como se diz.
O duelo, à boa maneira estudantil, teve algo de «caloiros versus
doutores.» A Briosa, estreante no palco de uma Supertaça Cândido de Oliveira,
apanhou pela frente o grande dominador da prova, agora com 19 Supertaças a
reinarem no museu do Dragão. Ainda assim, e apesar do respeito natural, foi um
«bando» de novatos a irritaram os mais credenciados pela história.
Mas nem tudo brilhou no manto
negro. Ricardo, por exemplo, mostrou logo aos 30 segundos que o nervosismo lhe
morava no corpo, quando deixou que a bola lhe fugisse perigosamente para a linha
de golo. Aos 17' saiu em falso a um canto de James Rodríguez - tal como aos 61'
- e aos 27' não conseguiu segurar um livre de Maicon. Sorte para ele que
Christian Atsu falhou o remate que sobrou.
E por aqui já vamos nos momentos 'Porto' da noite de Aveiro. O campeão
continua lento nos processos e Defour não é, claramente, João Moutinho. O
primeiro foi titular, o segundo substitui-o aos 57 minutos. Ainda assim, foram
do FC Porto as melhores ocasiões, como a bela jogada entre Lucho e Miguel Lopes:
o lateral cruzou atrasado mas o remate de James acabou nas mãos seguras - agora
sim - de Ricardo.
Até ao descanso, dois momentos. O primeiro, aos 39', num livre batido por
Hélder Cabral. O topo norte do Municipal de Aveiro festejou, enganado pela
ilusão de ótica da baliza oposta. Helton voou sem hipóteses mas a bola tocou na
parte errada da linha. Por fim, aos 45', um cabeceamento de Mangala a assustar
Ricardo.
Crescimento azul até ao thriller de Jackson
Agora, a vez de Jackson Martínez. O reforço colombiano dos dragões passou 45
minutos a jogar de costas para Ricardo e no primeiro lance do segundo tempo
atirou por cima, já dentro
da área academista. Mostra que tem «pés» para a bola, embora estes ainda
procurem o caminho certo para o futebol portista. Contudo, iria resolver de
cabeça, bem perto do fim. Mas já lá vamos.
Já com Moutinho em campo - só podia, face à nulidade de Defour -, o FC Porto
cresceu na intensidade (nem sempre na qualidade) e forçou a Académica a um
redobrar na concentração. Numa das vezes em que conseguiu esticar-se, Salim
Cissé trocou os passos e esqueceu-se de rumar à baliza de Helton. Parecendo que
não, estava quase isolado. Pouco tempo depois, uma história de redenção.
Ricardo, o do nervosismo no corpo, brilhou ao mais alto nível. A defesa ao
remate acrobático de Otamendi é soberba!
Vivia-se por esta altura, a 25 minutos do final, um assédio assombroso do FC
Porto à baliza da Briosa, com o cenário a repetir-se das bancadas para o
relvado. O dragão atravessava o melhor momento de todo o jogo, mas a baliza
continuava um corpo estranho aos azuis e brancos. A Académica, essa, vestiu-se
para sofrer e lá foi aguentando o sonho ao compasso disciplinado dos minutos,
resistindo até ao golo anulado a Jackson. E Salim Cissé, aos 84', até teve na
cabeça o chamado «golpe de teatro.»
No entanto, esse estava guardado a «sete chaves» para o minuto 90, qual ato
apoteótico em Aveiro. Jackson Martínez, o reforço de peso, resolveu o jogo de
cabeça, num golpe a bater Ricardo e que selou a conquista da 19ª Supertaça por
parte do FC Porto. E assim, à primeira, Jackson resolveu o
thriller.

in: zerozero
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