Julen Lopetegui gosta de privilegiar a posse de bola e de ver a sua equipa a começar a construir desde trás. Os jogadores, dentro das quatro linhas, procuraram seguir à risca as indicações do treinador, mas isso acabou por tornar o encontro pouco interessante, pois a troca de bola entre os jogadores do FC Porto era feita essencialmente numa zona recuada do terreno, o que significa que não criava mossa na formação adversária.
Nos processos de equipa sem bola, os dragões, ao contrário do que Lopetegui pretendia, foram pouco pressionantes, especialmente na primeira parte, o que permitiu ao Schalke 04 sair a jogar e ter mais espaço para circular a bola, o que fez com que os germânicos dispusessem de oportunidades de perigo. Foi na maioria das vezes pelo corredor esquerdo - Draxler foi levando a melhor nos duelos com Ricardo Pereira – que a turma de Gelsenkirchen foi-se aproximando da área do FC Porto. Em alguns momentos valeu a atenção de Iker Casillas ou a pouca eficácia dos atacantes, Huntelaar e Di Santo.
Mas se Ricardo Pereira sentia bastantes dificuldades para travar Draxler, do outro lado Alex Sandro exibia-se a bom nível. Foi, inclusivamente, por intermédio do lateral-esquerdo brasileiro que surgiu a melhor (e única!) possibilidade para o FC Porto marcar. Sempre que pôde, o capitão dos dragões procurou apoiar o ataque e chegou mesmo a rematar ao poste, numa clara tentativa de, apesar do pouco ângulo que tinha, surpreender o guarda-redes.
Ainda no ataque, Silvestre Varela foi o jogador que mais correu e procurou mexer com o jogo do FC Porto na primeira parte, mas nem sempre bem acompanhado. Sérgio Oliveira e Evandro, os médios que tinham como missão procurar apoiar o ataque na primeira parte, raramente tiveram possibilidade para fazer a diferença e das poucas vezes que tiveram, houve demasiada cerimónia na hora de rematar à baliza. Além disso, o meio-campo azul e branco mostrou ainda ter pouca criatividade para surpreender.
Na segunda parte, com as mudanças protagonizadas pelos dois treinadores, houve menos ocasiões de golo mas a toada do jogo manteve-se, especialmente do lado azul e branco. Apesar de ter tido mais bola do que o Schalke 04, o FC Porto sentiu dificuldades para unir os setores da equipa e a melhor ocasião de golo na etapa complementar pertenceu aos alemães. Se Casillas esteve bem no primeiro tempo, o mesmo há a dizer de Helton no segundo, especialmente na forma como evitou que Huntelaar, em boa posição, marcasse.
Com a entrada de Maxi Pereira, os dragões procuraram mais o corredor direito para atacar, mas notaram-se ainda as faltas de rotinas entre o uruguaio e Cristian Tello, extremo lançado também no decorrer da segunda parte. E no que ainda diz respeito à falta de rotinas, também pouco se deu pela entrada de Bueno – embora apenas tenha atuado atrás de Aboubakar cerca de oito minutos - sinal de que os dragões mantêm-se mais formatados para jogar na maioria das vezes pelas alas do que por zonas interiores.
in: zerozero.pt
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