Num estádio quase cheio, e com a bancada sul cheia de bandeiras azuis e brancas (numa coreografia que fez lembrar o velho Estádio das Antas em meados da década de 1980), foi precisamente a raça do Dragão que sobressaiu. O melhor que os lisboetas conseguiram foi o empate, durante 10 minutos da primeira parte e dois da segunda.
O resto foi domínio do Dragão, mesmo que o leão tenha surgido de peito feito na luta pelo resultado e sem recorrer a autocarros em frente à sua baliza. Talvez o adversário tenha alguma dificuldade em entender este espírito, mas, afinal de contas, o que aconteceu foi clássico: há mais de cinco anos que o FC Porto não perde em casa para a Liga e há seis que o Sporting não vence no terreno azul e branco.
A primeira parte do encontro nem sempre foi bem jogada, mas as duas equipas entregaram-se de alma e coração. No entanto, esteve sempre mais perto do golo o FC Porto, que conseguia a posse de bola uns metros mais à frente do que o adversário. O flanco esquerdo dos Dragões estava em destaque e seria por aí que surgiria o primeiro golo: Herrera lançou Alex Sandro nas costas da defesa sportinguista e Maurício só conseguiu travar o lateral esquerdo em falta.
Não há três sem quatro e, por isso, Josué foi chamado a converter outra vez o penálti. Depois dos jogos frente a Vitória de Setúbal, Marítimo e Vitória de Guimarães, o jovem formado nas escolas do FC Porto voltou a não falhar na marca dos 11 metros, aos 11 minutos de jogo. No meio de tudo isto, sobrou apenas uma dúvida: onde ficou o cartão amarelo para Maurício? O jogo manteve-se nervoso, mas a emoção só voltou a estar ao rubro aos 34 minutos, quando um remate de Josué obrigou Rui Patrício a defesa para canto. O Sporting, mesmo não se encolhendo, não conseguiu colocar Helton verdadeiramente à prova no primeiro tempo.
Os Dragões entraram a dominar nos primeiros minutos da segunda parte, mas acabou por ser o Sporting a chegar ao empate, por intermédio de William Carvalho. Helton não conseguiu interceptar a bola cruzada a partir da direita, na marcação de um livre, e o trinco aproveitou o ressalto para atirar de forma certeira.
Ainda o banco do Sporting estava a festejar quando o FC Porto se recolocou em vantagem, num belo lance em que Josué lançou Danilo. O brasileiro tirou um adversário da frente e a vontade de marcar foi tanta que o “tiro” do lateral, imparável, ainda embateu no poste antes de morrer nas redes. A festa dos verde e brancos durou meros dois minutos.
Na segunda oportunidade de que dispôs em todo o encontro, o Sporting podia ter chegado ao 2-2, mas Helton negou brilhantemente o golo a Montero, aos 69 minutos. Com o Sporting mais exposto na busca pelo golo, os espaços aumentaram no meio-campo do Sporting e Varela, pela enésima vez, estilhaçou a defesa do Sporting e foi determinante na jogada do 3-1. Lançado no contra-ataque, o extremo português desmarcou Jackson na esquerda e amorteceu depois o cruzamento do colombiano, no coração da área. Lucho apenas teve o trabalho de empurrar para golo.
O 4-1 esteve mais perto do que o 3-2 (Licá forçou Rui Patrício a uma intervenção difícil) e os adeptos do FC Porto perceberam porque não vale a pena ficar em casa. Os tricampeões estão firmes na liderança da Liga, agora com mais cinco pontos do que o segundo classificado. Só o Dragão se mantém invicto na prova.
in: fcporto.pt
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